Tratamentos do Cancro da Mama: O Que Saber Sobre Opções, Benefícios e Considerações

Atualmente, os tratamentos do cancro da mama em Portugal são cada vez mais personalizados. Compreender as diferentes opções disponíveis ajuda as pacientes a sentirem-se mais preparadas para conversar com a sua equipa médica no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou no setor privado. Desde a cirurgia e radioterapia até à quimioterapia e terapias hormonais, cada abordagem tem objetivos específicos, benefícios e possíveis riscos. Conhecer os princípios básicos permite tomar decisões mais informadas e conscientes sobre a própria saúde.

Tratamentos do Cancro da Mama: O Que Saber Sobre Opções, Benefícios e Considerações

Receber um diagnóstico de cancro da mama costuma trazer muitas dúvidas sobre o que vai acontecer a seguir e que tratamentos poderão ser necessários. Em Portugal, os planos terapêuticos são habitualmente definidos por equipas multidisciplinares em contexto hospitalar, tendo em conta o tipo de tumor, o estádio da doença e as características da pessoa. Compreender as opções disponíveis pode ajudar a participar de forma mais informada nas decisões.

Este artigo tem apenas fins informativos e não deve ser considerado aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde qualificado para obter orientação e tratamento personalizados.

Como funcionam as abordagens de tratamento do cancro da mama

As abordagens de tratamento do cancro da mama combinam, de forma personalizada, várias modalidades terapêuticas. As mais comuns incluem cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia hormonal, terapias alvo e, em alguns casos, imunoterapia. Cada opção atua de forma diferente: algumas removem ou destroem o tumor localizado, enquanto outras circulam pelo organismo para atacar células cancerígenas onde quer que estejam.

O objetivo principal pode ser curativo ou paliativo. Em fases iniciais, procura se eliminar o tumor e reduzir o risco de recidiva. Noutros casos, pretende se controlar a doença durante o máximo de tempo possível, aliviando sintomas e mantendo a qualidade de vida. Frequentemente, os tratamentos são sequenciais ou combinados, como cirurgia seguida de radioterapia e, mais tarde, terapias sistémicas, escolhidas de acordo com exames específicos ao tumor.

O papel da terapia hormonal no tratamento

A terapia hormonal, também chamada hormonoterapia endócrina, tem um papel central quando o cancro da mama apresenta recetores hormonais positivos, ou seja, quando as células tumorais utilizam hormonas como estrogénio ou progesterona para crescer. Nestes casos, a hormonoterapia atua reduzindo a quantidade de hormonas disponíveis ou bloqueando a sua ação nas células do tumor.

Esta abordagem é frequentemente utilizada após tratamentos locais, como cirurgia e radioterapia, para diminuir o risco de reaparecimento da doença. Em algumas situações, pode ser usada antes da cirurgia para reduzir o tamanho do tumor ou em doença avançada para controlar o crescimento do cancro ao longo do tempo. A escolha do esquema depende de fatores como idade, menopausa, estado geral de saúde e características detalhadas do tumor.

Opções comuns de terapia hormonal

Entre as opções mais comuns de terapia hormonal encontram se medicamentos que bloqueiam os recetores de estrogénio e fármacos que reduzem a produção de estrogénio no organismo. Um exemplo clássico é o uso de moduladores seletivos dos recetores de estrogénio, frequentemente prescritos em mulheres que ainda não entraram na menopausa. Estes medicamentos impedem que o estrogénio se ligue às células tumorais, travando o seu estímulo de crescimento.

Outra categoria importante são os inibidores da aromatase, habitualmente utilizados em mulheres após a menopausa. Estes fármacos reduzem a quantidade de estrogénio produzida pelo organismo, o que pode ajudar a manter a doença controlada. Em algumas pessoas, associa se ainda a supressão da função ovárica, seja por medicamentos específicos, seja por cirurgia, sempre com avaliação cuidadosa da equipa médica. A duração da hormonoterapia costuma ser prolongada, muitas vezes entre cinco e dez anos, dependendo do risco individual.

Efeitos secundários e considerações importantes

Tal como qualquer tratamento oncológico, a terapia hormonal pode provocar efeitos secundários, que variam de pessoa para pessoa. Entre os mais frequentes contam se afrontamentos, suores noturnos, alterações do sono, alterações de humor, secura vaginal e diminuição da líbido. Alguns medicamentos podem ainda associar se a dores articulares, fadiga, aumento do risco de trombose ou perda de massa óssea ao longo do tempo.

Por isso, é fundamental que a pessoa em tratamento informe regularmente a equipa de saúde sobre o que sente no dia a dia. Em muitos casos, existem estratégias para aliviar sintomas, ajustar doses ou, se necessário, alterar o esquema terapêutico. Questões como fertilidade futura, planeamento de gravidez, saúde óssea, risco cardiovascular e interação com outros medicamentos devem ser discutidas antecipadamente. O acompanhamento de longo prazo, incluindo exames periódicos e avaliação global do bem estar físico e emocional, é parte integrante do sucesso da hormonoterapia.

No contexto dos tratamentos do cancro da mama, a decisão sobre usar ou não terapia hormonal, e por quanto tempo, resulta sempre de uma ponderação entre benefícios e riscos. Conhecer de forma clara como funcionam as abordagens disponíveis e quais as implicações práticas ajuda a preparar se para o percurso terapêutico. Em articulação com a equipa clínica, cada pessoa pode encontrar um plano que tenha em conta não só a eficácia do tratamento, mas também a sua rotina, valores e prioridades, mantendo o foco na melhor qualidade de vida possível ao longo de todas as fases da doença.