A cirurgia da catarata está a crescer – o que explica este interesse?
Em Portugal, cada vez mais pessoas estão a procurar informações sobre a cirurgia da catarata, e os motivos podem surpreender. Mudanças no estilo de vida, maior longevidade e um aumento da consciencialização sobre a saúde ocular estão a impulsionar estas conversas, levando muitos pacientes a considerar o tratamento mais cedo do que esperavam.
Nos últimos anos, a decisão de corrigir a catarata deixou de ser adiada até fases muito avançadas. Em Portugal, um número crescente de pessoas considera a cirurgia quando os sintomas começam a interferir com tarefas quotidianas, como conduzir à noite ou ler com conforto. Este movimento resulta de vários fatores convergentes: uma população mais envelhecida e ativa, técnicas cirúrgicas mais previsíveis, melhor acesso a informação fiável e expectativas visuais alinhadas com estilos de vida digitais. Tudo isto tem mudado a perceção de risco-benefício e a altura ideal para operar.
Porque é que mais pessoas consideram a cirurgia da catarata?
A principal razão é demográfica: com o aumento da esperança de vida, cresce também a incidência de catarata, uma alteração natural do cristalino. Mas não é apenas uma questão de idade. As pessoas mantêm-se ativas durante mais tempo e valorizam uma visão nítida para conduzir, trabalhar, viajar e usar dispositivos digitais. Como resultado, a decisão de avançar para cirurgia ocorre mais cedo do que há algumas décadas, quando muitos aguardavam até a visão estar muito comprometida. Adicionalmente, o aconselhamento clínico tornou-se mais centrado na qualidade de vida, ajudando cada pessoa a ponderar sintomas, necessidades e segurança do procedimento.
O que é a cirurgia da catarata e como evoluiu?
A catarata é a opacificação do cristalino, a lente natural do olho. A cirurgia consiste em remover esse cristalino opaco e substituí-lo por uma lente intraocular transparente. A técnica mais utilizada é a facoemulsificação, realizada através de microincisões que permitem recuperação habitualmente rápida. Em alguns centros, laser de femtosegundo pode ser utilizado em etapas específicas, o que trouxe maior uniformidade a certas fases da cirurgia. Também a medição ocular e o cálculo de lentes intraoculares evoluíram, melhorando a previsibilidade refrativa. Há opções de lentes monofocais e lentes com funcionalidades específicas, como correção de astigmatismo; a seleção depende do exame, do perfil visual e das expectativas do paciente. Combinados, estes avanços técnicos e de planeamento aumentaram a segurança e a consistência de resultados.
Como o estilo de vida pesa na decisão pela cirurgia?
As exigências visuais do quotidiano mudaram. A leitura em ecrãs, as videoconferências e a condução noturna expõem problemas frequentes da catarata, como encandeamento, halos e redução do contraste. Pessoas fisicamente ativas podem sentir limitações em desportos ao ar livre, onde a luz intensa agrava os sintomas. Além disso, pequenas perdas de visão têm impacto cumulativo na autonomia, na produtividade e na segurança. Por isso, mais do que medir apenas a acuidade em consultório, a decisão considera como a visão influencia tarefas reais. Em Portugal, este raciocínio é partilhado por oftalmologistas em consultas no SNS e em serviços locais, ajudando cada pessoa a avaliar quando o procedimento traz benefícios concretos para o seu dia a dia.
Que papel tem o aumento da consciencialização?
A informação de qualidade tornou-se mais acessível. Campanhas de saúde ocular, materiais fornecidos por sociedades médicas e conteúdos educativos ajudam a desmistificar a cirurgia e a esclarecer riscos e recuperação. A recomendação de profissionais de saúde ocular e os relatos de familiares ou amigos que já realizaram o procedimento também têm peso. Em vez de esperar por um declínio acentuado, muitos procuram aconselhamento logo aos primeiros sinais de interferência com a rotina. A consciencialização sobre exames regulares e sobre os sinais de alerta (visão turva persistente, encandeamento significativo, dificuldade em conduzir) contribui para diagnósticos atempados e decisões mais informadas.
O que mudou na avaliação de riscos e benefícios?
Hoje, o equilíbrio tende a favorecer a intervenção quando os sintomas afetam a qualidade de vida e o exame confirma que a catarata é o principal fator limitante. A evolução das técnicas anestésicas locais, das incisões pequenas e da gestão do pós-operatório reduziu incómodos e acelerou o retorno às atividades habituais, sempre respeitando os tempos de cicatrização. Ao mesmo tempo, o aconselhamento pré-operatório é mais completo: explica opções de lentes, expectativas realistas de visão ao longe e ao perto e a possibilidade de ainda serem necessários óculos em algumas situações. Esta comunicação clara reduz incertezas e alinha a decisão com as prioridades pessoais.
Como o contexto português influencia a procura?
O acesso a consultas de oftalmologia em Portugal ocorre em diferentes níveis de cuidado, e a articulação entre optometria, medicina geral e familiar e oftalmologia facilita o encaminhamento quando a visão começa a limitar o quotidiano. Em serviços na sua área, a avaliação clínica considera profissão, hábitos de condução e rotinas com ecrãs, o que aproxima a decisão das necessidades reais de cada pessoa. A presença de opções no setor público e privado amplia a possibilidade de escolher o momento mais adequado, conforme disponibilidade e orientação clínica, sem pressupor que exista uma única via correta para todos.
O que esperar do processo e da recuperação?
Antes da cirurgia, são realizados exames para medir o olho e escolher a lente intraocular. No dia do procedimento, a anestesia local e a sedação leve são comuns, e a intervenção costuma ser relativamente rápida. As recomendações pós-operatórias incluem gotas, proteção ocular e cuidados com higiene, enquanto a adaptação visual evolui ao longo de dias a semanas. A comunicação com a equipa clinica ajuda a clarificar o ritmo de recuperação e a retoma de atividades como condução, exercício e uso de ecrãs. A decisão sobre operar o segundo olho depende da avaliação do resultado inicial e das necessidades do paciente.
O que ainda importa ponderar antes de decidir?
Nem todos os sintomas visuais são causados apenas por catarata; outras condições, como alterações da retina ou da córnea, podem coexistir e influenciar o prognóstico. Uma avaliação completa é, portanto, essencial para evitar expectativas desalinhadas. Adicionalmente, a escolha da lente intraocular deve considerar profissão, hobbies, sensibilidade ao contraste e tolerância a fenómenos como halos. O diálogo informado entre paciente e equipa clínica continua a ser o elemento central para uma decisão segura e personalizada.
Conclusão O crescimento do interesse pela cirurgia da catarata resulta da combinação de envelhecimento populacional, técnicas mais previsíveis, estilos de vida com maiores exigências visuais e melhor consciencialização. A decisão de operar é cada vez mais baseada no impacto funcional e em objetivos visuais realistas, definidos em conjunto com profissionais de saúde. Este percurso permite alinhar timing, técnica e expectativas, respeitando a individualidade de cada caso e a segurança do processo.
Este artigo tem fins informativos e não deve ser considerado aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde qualificado para obter orientação e tratamento personalizados.